Curiosidades sobre o sono:

     Embora não se tenha desvendado completamente o papel indispensável do sono na sobrevivência dos seres vivos, sabe-se cada vez mais sobre sua estrutura.

     Dormir não é apenas uma necessidade de descanso mental e físico: durante o sono ocorrem vários processos metabólicos que, se alterados, podem afetar o equilíbrio de todo o organismo a curto, médio e, mesmo, a longo prazo. Estudos provam que quem dorme menos do que o necessário tem menor vigor físico, envelhece mais precocemente, está mais propenso a infecções, à obesidade, à hipertensão e ao diabetes.

     A longo prazo, a privação do sono pode comprometer seriamente a saúde, uma vez que é durante o sono que são produzidos alguns hormônios que desempenham papéis vitais no funcionamento de nosso organismo.

     É no sono REM, quando acontecem os sonhos, que as coisas que foram aprendidas durante o dia são processadas e armazenadas. Se alguém, adulto ou criança, dorme menos que o necessário, sua memória de curto prazo não é adequadamente processada e a pessoa não consegue transformar em conhecimento aquilo que foi aprendido. Em outras palavras: se alguém - adulto ou criança - não dorme o tempo necessário, tem muita dificuldade para aprender coisas novas.

     Embora essa necessidade seja uma característica individual, a média da população adulta necessita de 7 a 8 horas de sono diárias. Mas a necessidade de sono muda conforme a idade.

     Falando em crianças, é especialmente importante que seja respeitado um período de 9 a 11 horas de sono, uma vez que, quando elas não dormem o suficiente, ficam irritadiças, além de terem comprometimento de seu crescimento (devido ao problema já mencionado sobre a diminuição do hormônio do crescimento), do aprendizado e da concentração.

     Pessoas idosas sofrem mudanças nos parâmetros e na estrutura do sono. Também ocorre a dimunição do tempo total do sono, principalmente dos estágios mais profundos. Despertares são freqüentes e repetitivos, prejudicando o sono em indivíduos idosos. Esses dados sugerem que, com a idade, o sono se torna mais “leve”, além de aumentar a quantidade de despertares, tornando os idosos mais sensíveis a estímulos ambientais.

     O sono é dividido em duas partes principais, o sono REM, e o sono Não-REM. O sono Não REM pode ser dividido em quatro estágios de sono cada vez mais profundos. Durante uma noite bem dormida o sono REM ocorre várias vezes, alternando-se com o sono Não-REM.

O Sono Normal em um Jovem Adulto
O primeiro ciclo, em um adulto inicia com:

  • estágio 1 de sono NREM, e em poucos minutos (1 a 7 minutos) avança para o estágio 2. No estágio 1 o sono é leve, e pode ser interrompido com poucos estímulos. Nesta fase a Melatonina é liberada, induzindo o sono.
  • estágio 2 costuma durar de 10 até 25 minutos. Para acordar um indivíduo nesse estágio, os estímulos precisam ser mais fortes que os aplicados para acordar no estágio 1. Diminuem os ritmos cardíaco e respiratório, (sono leve) relaxam-se os músculos e cai a temperatura corporal.
  • estágio 3 apresenta ondas cerebrais bem mais lentas que os estágios anteriores. Esse estágio tem curta duração neste primeiro ciclo, serve de transição para o estágio 4.
  • estágio 4, também conhecido como estágio Delta, representa o sono profundo, caracterizado pelas freqüências mais baixas de atividade cerebral e batimentos cardíacos, costuma durar de 20 a 40 minutos. Atinge o pico na produção de vários hormônios necessários para o corpo.
  • No último estado ocorre um retorno a estágios menos profundos. Isto é, uma passagem rápida pelo estágio 3, seguidos de 5 a 10 minutos no estágio 2, quando, após possíveis movimentos corporais, inicia-se o primeiro episódio REM, durando de 1 a 5 minutos. O sono REN é o pico da atividade cerebral, quando ocorrem os sonhos. O relaxamento muscular atinge o máximo, voltam a aumentar as freqüências cardíaca e respiratória

     Pequenas intromissões durante o sono normal ocorrem na forma de despertares breves nos quais não se recupera a consciência ou a memória. Isto se manifesta através de 30 a 60 movimentos por noite, quando muda-se de posição ou arruma-se as cobertas, sem que se lembre disso pela manhã. Os movimentos ocorrem nas trocas de estágio e nos estágios de sono mais superficial.
 
     O sono NREM e REM continuam alternando-se durante a noite, em torno de quatro a seis ciclos. O tempo de sono REM tende a tornar-se mais longo durante o decorrer da noite, enquanto que o sono caracterizado pelos estágios 3 e 4 tendem a encurtar na mesma medida, podendo, inclusive, desaparecer nos últimos ciclos, predominando o estágio 2 nesses casos.

  • Estatísticas do sono

    O sono considerado normal, em um jovem adulto, possui algumas características próprias. Entre elas, podemos verificar:
  • O sono é iniciado pelo estado NREM;
  • Os estados NREM e REM se alternam em períodos de 90 minutos aproximadamente;
  • Ondas lentas predominam no primeiro terço da noite, e está ligado à iniciação do sono;
  • sono REM predomina no último terço da noite de sono, e está ligado ao ritmo cardíaco e temperatura do corpo;
  • estágio 1 normalmente compreende de 1 a 5 % do sono;
  • estágio 2 normalmente compreende de 45 a 50 % do sono;
  • estágio 3 normalmente compreende de 3 a 8 % do sono;
  • estágio 4 normalmente compreende de 10 a 15 % do sono;
  • Considerando os estágios, o sono NREM chega a atingir 80 % do sono;
  • sono REM compreende de 20 a 25 % do total do sono.

O Sono Normal em um Idoso
     Com a idade surgem também mudanças nos parâmetros e na estrutura do sono. O primeiro ciclo, por exemplo, é mais curto, tido provavelmente como resultado da diminuição dos estágios 3 e 4. Também ocorre uma menor porcentagem do tempo total do sono, além da constância ao longo da noite, ou seja, o tempo de REM é estável durante todo o sono.

 
     Alguns fatos comprovados por pesquisas podem nos dar uma idéia da importância que tem o sono no nosso desempenho físico e mental. Por exemplo, num estudo realizado pela Universidade de Stanford, EUA, indivíduos que não dormiam há 19 horas foram submetidos a testes de atenção. Constatou-se que eles cometeram mais erros do que pessoas com 0,8 g de álcool no sangue - quantidade equivalente a três doses de uísque.

     Igualmente, tomografias computadorizadas do cérebro de jovens privados de sono mostram redução do metabolismo nas regiões frontais (responsáveis pela capacidade de planejar e de executar tarefas) e no cerebelo (responsável pela coordenação motora). Esse processo leva a dificuldades na capacidade de acumular conhecimento e alterações do humor, comprometendo a criatividade, a atenção, a memória e o equilíbrio.

     O pico de produção do hormônio do crescimento (também conhecido como GH, de sua sigla em inglês, Growth Hormone) ocorre durante primeira fase do sono profundo, aproximadamente meia hora após uma pessoa dormir. Adolescentes chegam  a produzir 50 vezes mais dele á noite do que de dia.

     Qual é o papel do GH? Entre outras funções, ele ajuda a manter o tônus muscular, evita o acúmulo de gordura, melhora o desempenho físico e combate a osteoporose. Estudos provam que pessoas que dormem pouco reduzem o tempo de sono profundo e, em conseqüência, a fabricação do hormônio do crescimento.

     A leptina, hormônio capaz de controlar a sensação de saciedade, também é secretada durante o sono. Pessoas que permanecem acordadas por períodos superiores ao recomendado produzem menores quantidades de leptina. Resultado: o corpo sente necessidade de ingerir maiores quantidades de carboidratos.

Sensação de sono após as refeições

     Os cientistas descobriram uma proteína chamada hipocretina, que é produzida no cérebro e nos ajuda a ficar acordados. Quando comemos o organismo produz leptina a fim de nos dar a sensação de saciedade. Mas a leptina inibe a produção de hipocretina. Em outras palavras, quanto mais leptina presente no cérebro, tanto menos hipocretina e maior a sensação de sono.

Diabetes e a falta de sono

     Com a redução das horas de sono, a probabilidade de desenvolver diabetes também aumenta. A falta de sono inibe a produção de insulina (hormônio que retira o açúcar do sangue) pelo pâncreas, fazendo com que se eleve a taxa de glicose (açúcar) no sangue, o que pode levar a um estado pré-diabético ou, mesmo, ao diabetes propriamente dito.

     Num estudo, 11 homens que dormiram apenas quatro horas por noite, durante uma semana, passaram a apresentar intolerância à glicose (estado pré-diabético), além de suas células passarem a ter um comportamento parecido com as de pessoas com mais de 60 anos.

 
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